Molécula da Semana - Miconazol


O miconazol, 1-[2-(2,4-diclorofenil)-2-[(2,4-diclorofenil)metóxi]etil]imidazol, fórmula C18H14Cl4N2O - 416,13 g.mol-1, é uma substância sólida de cor branca (T.F. 159-163 °C) na condição ambiente.

Na molécula do miconazol, salienta-se:

Imidazol;
Função éter;
Anel benzênico;
Átomo de cloro.

O miconazol, um fármaco imidazólico sintético, é um agente antifúngico de amplo espectro empregado no tratamento de infecções vaginais, de pele e das unhas causadas por leveduras e dermatófitos. É particularmente ativo contra espécies de fungos de Candida, Trichophyton, Epidermophyton, Microsporum e Pityrosporon orbiculare (Malassezia furfur), além de possuir também atividade contra bactérias Gram-positivas. Ele foi um dos primeiros membros do grupo de fármacos denominados "azóicos" que apresentou atividade antifúngica. Este grupo inclui fármacos como o sulconazol, oxiconazol, tioconazol, etc., todos contendo o sufixo "-conazol" em seu nome. Muitos derivados foram sintetizados utilizando o miconazol como modelo estrutural. Ele é empregado tanto na medicina humana, quanto veterinária.





Geralmente, este fármaco é utilizado na forma de nitrato de miconazol, sendo indicado para uso tópico. Após a aplicação, ele penetra rapidamente na camada córnea da pele, onde persiste por até quatro dias. Menos de 1% do miconazol é absorvido para a circulação sanguínea, o que contribui muito para sua segurança. Pouco tempo depois de sua utilização, já é possível perceber um alívio no prurido (coceira), um sintoma muito comum em infecções fúngicas, e redução do odor desagradável, causado por algumas micoses.




O miconazol atua impedindo a produção de metabólitos essenciais para o crescimento e função dos fungos, evitando que as leveduras se transformem nas formas miceliais. Sua principal ação antifúngica se deve à inibição de uma enzima chamada 14-α-demetilase, que catalisa a produção do ergosterol, um componente da membrana celular fúngica. Sem este componente, a membrana se torna mais permeável, o que pode causar vazamento do conteúdo celular e sua ruptura, além de prejudicar a captação de nutrientes vitais para o fungo.




Até a década de 60, poucos eram os fármacos disponíveis para o tratamento tópico de dermatofitoses (exemplos: undecilenatos, diamtazóis e tolnaftatos) e para uso oral (exemplo: griseofulvina). O tratamento de infecções por cândida, por exemplo, se baseava em antibióticos como a nistatina, pimaricina e anfotericina B, cuja toxicidade era relativamente elevada. A introdução do miconazoltrouxe um grande avanço no tratamento das micoses, pois além de seguro, apresentava um amplo espectro de ação. Muitos derivados do miconazol foram produzidos e estão disponíveis comercialmente.



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